Certo dia, em uma das muitas conversas informais que se desenrolam durante o cotidiano de qualquer pessoa, eu comentei sobre um grande amigo meu. Grande não só no mérito, mas também na estatura. Ao ouvir tal comentário a pessoa com quem eu falava então replicou: - parece que você prefere os gordinhos para serem seus amigos. Um comentário banal, mas que me fez observar esse fato até então despercebido: meus melhores amigos são gordos, são grandes. Pode ser só coincidência. Acredito que não há nenhuma predisposição genética que faça dos mais avantajados, fisicamente falando, pessoas melhores ou mais leais. Deixando os “achismos” e a ciência de lado, o fato é que, meus melhores amigos são gordinhos, ou são muito altos, ou qualquer coisa do tipo. Explicações...quem se importa com elas? Mas eu gosto de acreditar que eles são desse tamanho para acomodar devidamente o coração que possuem: GRANDE! Assim como eles.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
A Travessia da Coragem
Chega um certo momento na vida em que você simplesmente para. Você não entende como chegou até aquele ponto e tenta desesperadamente encontrar um porque de continuar. É como se você estivesse parado na frente de uma ponte e não soubesse se deve atravessar ou dar meia volta. A vida parece tão sem sentido, a falta de motivação é tanta que a decisão mais sensata parece ser andar pela ponte, não até o fim, mas até um local de onde seja possível se lançar no abismo que espreita embaixo dela. Mas dificilmente o fazemos. Parece que até para tomar tal medida, não correta, mas muito eficaz, a força é insuficiente, inexistente. Eis que ocorre um quase milagre; a separação do joio e do trigo. Uns decidem voltar, desistir, começar do zero, enfim. E outros atravessam a ponte. Caminham por aquele emaranhado de cordas e madeira sem saber o que vão encontrar do outro lado. Apostadores que não poupam suas fichas na gigante roleta russa chamada vida. O joio e o trigo. Quem é quem? É apenas uma questão de ponto de vista. Mas somente alguns merecem o nome de corajosos, e sabemos muito bem de quem estamos falando.
sábado, 25 de junho de 2011
La Vita
Ela tem um jeito estranho de mostrar quem é. Parece gostar da contradição, ver beleza no caos. Faz os bons se darem mal e os maus - aos nossos olhos pelo menos - saírem impunes e ilesos. Leva os bons primeiro. Deixa os maus ficarem mais um pouco, como recompensa - ou castigo - por sabe se lá o que. Inimiga do relógio, faz seu próprio tempo. Chega e sai quando bem entende sem dar satisfação alguma. É exaltada com os mais sublimes adjetivos, depreciada com os mais imorais palavrões. Não se abala. Permanece íntegra, do alto de seu inatingível pedestal. É o mais belo projeto de Deus, e sabe disso, orgulha se disso. E com que orgulho! Tem por irmã e algoz a morte, mas não a vê com olhos de inimizade, ao contrário, o sopro de sua gêmea sombria é o começo de sua continuação, eterna desta vez. Ela, a vida, essa moleca travessa de quem somos boneca de pano, maleáveis, abandonados em qualquer canto, sujos, mutilados, esquecidos. Temos cada um a sua, fazemos o que queremos (achamos, ao menos). Fomos, vamos e voltamos, sempre a levar nossa vidas, ou melhor dizendo, nossas vidas a nos levar. Sempre .
domingo, 12 de junho de 2011
Despedaçando ilusões
Dizem que existe por aí uma pessoa perfeita para cada pessoa. Idiotice tamanha eu jamais ouvi. À princípio, me diga o que é perfeição. Em segundo plano, mostre me que ela existe. E se existe, será que algum ser humano é capaz de desenvolvê-la? E se for, porque uma pessoa que atinge a perfeição iria escolher você, logo você ???
Para dias que estão por vir
Solitário sempre me senti. Hoje sei que estou. Que estarei. Dom Quixote sem Sancho Pança. Cavaleiro andante sem relações fixas. Parasita social, eu diria. Preparo me agora para dias difíceis. Dias de pouca conversa, de mesa pra um, de risadas escassas. O braço forte agora se vai, não mais me erguendo quando for preciso. Necessita agora carregar seu próprio fardo, assim como também tenho que fazê lo ,embora não o deseje. Ah, e como não o desejo. Por amigos tenho agora a mesa de bar, a dama de cabaré e o copo sempre cheio. E quando este estiver vazio e eu entorpecido por álcool e amargura, o segurarei em minhas mãos e com lágrimas nos olhos lhe direi o quanto somos iguais. Vazios, ocos. E chorarei
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Minha Vez
Sempre fui aquele que tenta trabalhar para que as coisas estejam em perfeita harmonia. Quis que cada coisa estivesse em seu devido lugar. Fui durante muito tempo o tipo de pessoa que se preocupa com o bem estar dos outros. O tipo de cavalheiro que não se vê mais por aí, capaz de ceder o seu casaco para que a dama não se encolhesse com o frio. Aquele capaz de se privar de certas coisas para que não faltasse nada para os que estão a minha volta. Desejei relações perfeitas, sistemáticas, minuciosas, dignas de filmes americanos. Argumentei para que as pessoas descrentes a minha volta vislumbrassem beleza em suas vidas e encontrassem um norte para o qual caminhar. Por incontáveis vezes me fiz ombro, lenço de papel daqueles que necessitam expurgar seus sofrimentos. Fui jarro de muitas lágrimas. Ajudei a enxugar todas elas. Fui o mais amável dos amigos, o inimigo mais detestável, a flor que sobrevive ao inverno. Sempre fui quem eu fui, quem queriam que eu fosse. E eu, nunca quis chorar? Nunca quis que fossem para mim o que sou para os outros? Será que eu sou tão auto-suficiente que as vezes não necessite de um simples, mas verdadeiro abraço? Agora, agora é minha vez, de ser, de não ser, de receber, de ser levado em conta. Não sou um líder espiritual, tão menos um deus, sou um filho, um pai, uma criança que precisa sentir que está viva quando acorda. Não quero nada demais, apenas um pouco daquilo que eu dei a vida toda: Atenção.
sábado, 4 de junho de 2011
Pequenas Vontades
Eu queria acordar todo o dia e junto com o cheiro do café queria sentir que aquele era o começo de mais uma oportunidade. Eu queria ter a certeza de que todos os erros que eu cometi foram realmente perdoados. Eu queria saber que eu também significo algo para as pessoas quando eu não estou na frente delas. Eu queria que alguém, ao perguntar como eu estou realmente quisesse sabe como eu estou. Eu queria poder ajudar mesmo quando a ajuda parecesse impossível. Eu queria caminhar pela rua sentindo que o sol fica feliz em me ver. Eu queria saber que o choro de hoje dá lugar ao riso de amanhã, que o sorvete nunca chega ao fim. Eu queria que aquele friozinho na barriga viesse mais vezes. Eu queria que a amizade fosse um forte braço que te ergue, e que nunca vai embora. Eu queria que a minha mãe soubesse o quanto eu a amo toda vez que eu digo: -eu te odeio! E queria que ela soubesse o quanto gosto do meu lar toda vez que digo que quero sair de casa. Eu queria acreditar na bondade das pessoas. Eu queria saber que esse mundo ainda tem jeito. Não digo que queria saber o sentido da vida, bastava saber que a vida tem um sentido. Eu queria rir ao invés de chorar, realizar ao invés de sonhar. Ah, quer saber, já chega! É pedir demais. Mas de verdade, eu queria.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
As Filhas de Eva
Chegou como quem não quer nada, conquistou me nos mínimos detalhes. Sua sublime presença, o som da sua respiração, bastava só isso para dar sentido à vida de cada dia. O esplendor do seu sorriso tinha o poder de transformar a mais gélida manhã de inverno em um magnífico dia de sol. Espontânea como a flor que nasce na árvore, suave como a leve brisa que vem do mar. Perfeita, eu pensava. Se tudo na vida passa, o que é bom não segue outra lei: o castelo de sonhos veio a ruir. Havia algo diferente naquela que trouxe calor para meus dias, sua presença se fazia pausada, com intervalos de dias, semanas às vezes, e quando ela finalmente retornava era apenas um corpo, carne móvel que vinha ao meu encontro. Sua alma não fazia parte daquilo. Não sei o que aconteceu, não sei o que fiz, ou se fiz, mas o sentimento não mais existia. Ela, que tinha meu corpo e meu coração, ela se foi, dizendo lamentar o fim, dizendo ser sua a culpa, se foi. Mais uma vez passando por isso, confuso, inconformado eu diria, de olhos vendados, amarrado na sala escura que é o coração de uma mulher. Sedentas são elas, procuram por amor e quando o bebem até se saciar vão em busca de outra coisa que as satisfaça. Inconstantes por natureza, filhas da indecisão, são assim, não sabem o que de fato querem, mas o buscam com voracidade. E eu, agora sou um derivado, o que sobrou da tempestuosa passagem deste ser em minha vida. Apaixonar se é sempre diferente, elas são todas iguais.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Uma pergunta apenas
O que você quer? Mergulhe nos confins da sua alma e tente responder com sinceridade, ou melhor ainda, com verdade a essa pergunta. O que você quer? Você quer sucesso, dinheiro, o amor da sua vida. Quer ter filhos, sexo sem compromisso, beber whisky caro, se drogar, qualquer coisa que dê sentido a sua vida, nem que seja por breves instantes. Você quer isso mesmo? De verdade? Você deseja limitar sua vida a alcançar objetivos alcançáveis que depois de alcançados não tem mais nada a oferecer? Você quer se estagnar, achar que é normal sentir frustração dia após dia por causa de uma estafante rotina que corta sua carne como lâmina afiada e incessante? Você que se perguntar o que foi que aconteceu? Como tudo ficou assim de repente e se perceber avulso, sem obter devida resposta? O que você espera da sua vida? O que você faz para que isso aconteça? E depois que isso acontecer, o que vai ser? Quem você quer ser? Quem você realmente é? E depois de todas essas perguntas, o que queres tu da vida, ó incerta criatura? O que? O que você quer?
terça-feira, 19 de abril de 2011
As Asas Que Eu Nunca Tive
Deitado na grama olhava o céu, e naquela imensidão azul manchada de paz pássaros a voar solenemente. O bater de suas asas desenhava no céu ângulos precisos e sutis. Voavam não só porque era de seu instinto animal, mas pelo simples prazer de o fazê lo. Ases com dom de anjo em fuga para lugar nenhum. A viva expressão da liberdade. Ah, como eu os invejei. O sonho de voar dominou minha realidade. Criar asas e alçar um voo infinito seria a glória de um homem-terra que preso a terra vive. A realidade por sua vez é fria, apática. Só me resta olhar os pássaros em voo e desejar ser como eles, ter asas, voar. E já que se faz impossível o voo do meu corpo, que voem então meus pensamentos.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Aquilo Que Todos Dizem
Tenho certeza absoluta que você já ouviu a frase “tudo na vida passa” ou alguma coisa parecida. É uma resposta coringa, um clichê, uma saída para quem quer dar algum conselho e não sabe o que dizer. Assim como você eu também ouvi isso incontáveis vezes, essas palavras que atingem os ouvidos e não surtem efeito algum em nossa dor, pois ela continua lá, doendo. Só que um dia desses uma surpresa me ocorreu: ouvi tais palavras novamente, mas não de uma boca comum, mas de uma boca que sofria em verdade, que gritava perguntando o porque de tanto sofrimento, de tanta dificuldade. Esse sofrimento foi acompanhado por mim em vários momentos, ele era real, posso garantir. E então, depois de tanta dor e agonia essa boca que me disse tais palavras comprovou a veracidade delas. Tudo passa, de fato. Hoje, ao invés de gritos de inconformação essa boca esboça intensos sorrisos, ela dança no meio da rua com a primeira pessoa que encontra. Ela está feliz, definitivamente. Isso me foi uma grande lição. Percebi que aquilo que várias vezes ouvi era verdade, tão simples, tão sutil, mas verdade. Tudo passa meu amigo, pode demorar o tempo que for, pode ser difícil e cansativo, pode te fazer chorar e certamente vai, mas tudo passa. Não há nada que dure para sempre. Tudo muda, o tempo todo. Não se deixe envolver pelos laços da tristeza, eles se desatarão, aproveite a companhia dos que você ama, eles irão embora, viva cada dia, pois a vida não dura para sempre. Permita se acreditar no amanhã, em dias melhores que por certo virão, pois assim como o trem na estação, assim como a maré nas pedras, tudo passa, e se transforma.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Dias de Chuva
A vida segue um ciclo implacável. Os dias começam e terminam, o sol quase sempre brilha, o vento sopra. E de vez em quando chove. É um belo espetáculo que a natureza nos proporciona. Toda aquela água caindo em fileiras tal como um batalhão que marcha em perfeito alinhamento. Muitos adoram sentir os pingos batendo em seu corpo e saem correndo na chuva como se a vida se resumisse aquele momento, outros aproveitam tal fenômeno para em casa se agasalhar, tomar um chocolate quente e desfrutar da companhia e do calor corporal de alguém a quem bem se quer. O fato é que, para muitas pessoas a chuva não é só água que caio do céu, é um momento de oportunidade. No entanto, para mim a chuva quase sempre é um incômodo. Não porque ela dificulta a vida lá fora ou molha as roupas do varal, mas sim porque nesses dias eu me vejo sozinho e molhado, de lágrimas que eu não sei chorar. Não sei por que, mas dias chuvosos me deixam triste, pensativo. E enquanto a chuva cai tranqüila lá fora eu me vejo inquieto aqui dentro. Em um desses dias em que a chuva caia ficou claro para mim que não é raiva da chuva o que eu tenho, mas sim inveja. Tenho inveja do tempo que não tem medo de mudar de opinião e principalmente, inveja das nuvens que não tem vergonha de chorar e evidenciar a sua dor. Eu quero ser como a chuva e derramar minhas lágrimas, expurgar os meus sentimentos, sejam estes bons ou ruins. Quero não esconder quem eu sou e o que penso, o que sinto. Eu quero chover, quero fazer chover, quero ser a chuva, e mais, quero também ser o sol que brilha depois dela.
sábado, 2 de abril de 2011
Até Deus Precisa de Férias
Deus, o criador do universo e de tudo o que nele existe. Referencial absoluto do amor e da fé e pai de ninguém mais ninguém menos que Jesus Cristo. Possuidor de muitos nomes, Deus, Javé, Jeová, todos designam seu poder e onipotência onde são pronunciados. Senhor do tempo e da vida, Deus dentre os deuses. Quer saber, eu não agüento mais ouvir falar desse Deus. Não é que eu seja ateu ou satanista, não é isso. É a forma como Deus chega aos meus ouvidos que me incomoda. Quando em um encontro casual alguém pergunta como o outro está, esse responde: - estou como Deus quer. Quando alguém vai a um velório tenta acalentar o sofrimento da família enlutada dizendo: - foi Deus que quis assim. Quando alguém se vê em uma situação difícil suspira, e com expressão de doentia conformação proclama: - seja feita a vontade de Deus. Se Deus quiser, Deus lhe pague, graças a Deus, CHEGA! Deus também precisa de um descanso. Não sou nenhuma autoridade teórica em religião, mas sei que Deus não ia criar o homem e lançá lo ao mundo para controlar todas as suas ações, fazendo deste um fantoche, um brinquedo que quebra se ao morrer. Não, isso é egoísta e Deus definitivamente não é isso. Ele nos deu o livre arbítrio para tomarmos nossas decisões e trabalhar em conjunto para o equilíbrio, e em vez disso o que fazemos? Mascaramos nossos medos, vergonhas e culpa na “vontade de Deus”. Por favor, não façamos mais isso. Vamos assumir quem somos em suma, com falhas, defeitos e sujeira, para que assim se inicie em nós um processo de limpeza, purificação. Deus é bom, ele opera em nossas vidas, guia nossos passos, mas não os caminha. Ele não é o responsável, ou o culpado. Ele é Deus e isso basta! Cabe a nós tomarmos ciência de que somos filhos deste Deus e que consequentemente carregamos em nossa bagagem genética algumas das maravilhosas características Dele. Comecemos agora a melhorar como pessoas. Requer coragem, abdicação, mas não é impossível. É só puxar ao Papai!
O Terapeuta em Terapia
A faculdade de Psicologia é algo de veras peculiar, interessante. Lá são formados os indivíduos incumbidos da épica tarefa de tratar as dores, não as dores físicas, (seria fácil demais) mas sim as dores da alma, do viver e do ser no mundo. São médicos especiais, os doutores do sofrimento. Durante essa formação vai se experienciando as infinitas abordagens, fazendo se amizade com figuras como Freud, Nietzsche e outros ilustres homo sapiens que por aqui passaram, e pode se também sentir a real vivência da clínica através de estágios e intervenções, sem falar naquele amigo que deduz que o fato de se estudar Psicologia coloca o indivíduo em um patamar de suma sabedoria e vem aflito ao seu encontro desejoso de falar sobre seus problemas, quase sempre de cunho amoroso. Em uma dessas ocasiões me pus a pensar: e do meu problema, quem é que vai cuidar? Temos aí um questionamento real, mas de fácil resolução. Outro psicólogo, quem mais poderia ser? E é meu mais sincero desejo que este profissional que vai formatar meu HD psíquico também encontre outro que faça o mesmo com ele. E que seja assim até a formação de uma longa cadeia, constituída por aqueles que remediam as dores do mundo, por aqueles que sabem ser médicos e principalmente, que também sabem ser pacientes.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Cachorrada
Esses dias eu estava na sala da minha casa e observava o meu cachorro, um deles, que repousava sereno no tapete, contra a vontade da minha mãe, é claro. E ao olhar aquela cena eu me recordei de um texto que li há certo tempo de título “Se o se professor fosse um cachorro”. Comecei a pensar nos vários aspectos do comportamento desse animal e foi impossível não pensar em como seria a vida humana se esta seguisse a filosofia canina. Imagine alguém que ficasse extremamente feliz ao te ver, tão feliz a ponto de pular, correr. Imagine alguém que ao cometer um erro não fugisse ou colocasse a culpa em alguém, mas ficasse lá, parado ao lado do erro que cometera, sem dizer nada, mas permitindo compreender a aceitação de sua culpa. Imagine alguém simples, sem regras de conduta sofisticadas, que comesse rápido deixando a entender que tem pressa de aproveitar a vida e tudo o que ela tem de bom a oferecer. Imagine alguém que ao se sentir carente, sozinho, não reclamasse da vida ou se revoltasse gratuitamente, mas que se deitasse no chão e olhasse por cima dos olhos como se dissesse: - Ei, eu só quero um abraço, só isso! Imagine alguém que aceitasse suas pulgas, que entendesse o porque da coleira, que se contentasse com o osso quando não houvesse carne. Ah, que incrível seria!
Como dizia o saudoso John Lennon “você pode dizer que eu sou um sonhador” mas admita, ia ser fantástico não ia? A vida através de uma nova perspectiva. Tudo novo, diferente. E a sociedade, você deve estar pensando: ia virar uma cachorrada? Não! Ela já é isso há muito tempo. A diferença é que dessa forma isso ia ser uma coisa boa, boa pra cachorro.
sexta-feira, 25 de março de 2011
O Zumbi
Anda agora desmotivado sem um motivo aparente. Vive a vagar pelas ruas sem um paradeiro certo. Dorme, acorda e não sente nada. O cansaço em seus corpo, a fadiga em seus olhos, sangue em seu coração. Não atende as ligações, não abre as correspondências. Ao cair da noite se esconde como faria um vampiro às avessas. Assiste a filmes antigos se deixando hipnotizar pela tv. Se vê no cowboy, no mocinho, no vilão. Atravessa as madrugadas, lacaio da cafeína. Sente falta de algo que não sabe o que é. Frequenta bares e consome prostitutas. Não se ocupa em nada, não trabalha. Vagabundo é agora. Seu semblante é inerte, sem expressão. Sual alma clama por ajuda em um idioma confuso, desconhecido, impronunciável. Não é feliz, não se vê nem próximo disso. Não ri, não chora, mas não culpa ninguém por seu estado, seu agora. Abre outra garrafa e também o coração. Não há nada lá dentro a ñão ser a certeza de uma morte vindoura e implacável. Quando ela virá não importa, pois ele já está morto, em vida.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O Hoje do Dia Seguinte
Imerso nesse dia em tédio tal
Que escrever me é a única saída
Minha mente em tantas dúvidas perdida
Que nem sei se ao menos vou sobreviver
O querer e o ter se fazem tão distantes
E ilusões me governam toda a vida
Esperança é uma lembrança esquecida
Que em mim se recusa a se mover
O silêncio é quem se faz prevalecer
Mas o caos da agonia me sussurra
O leão dos meus temores me esmurra
Com a mesma intensidade que devora
Rastejantes minutos, lentas horas
E o relógio a girar desacelerado
Até ele parece estar cansado
Do morgado episódio que se dá
Sentimento nobre ou puro em mim não há
Nem palavras que a agradem, oh querida
O amor é uma taça de bebida
Qual não bebo e me contento em derramar
Muito pouco é o que posso te ofertar
Mas o faço embora o tenha admitido
Dois cigarros e um coração partido
E o desejo de haver transformação
Tão mecânico é o pulsar do coração
Mas o fluido que o lava ainda corre
O guerreiro em batalha aos poucos morre
Sem perder embora a crença de vencer
Tal momento é meu desejo reverter
Muito embora eu me encontre estagnado
Bem e mal caminhando lado a lado
Discutindo qual irá me convencer
A dúvida enter o ser e o não ser
Me parece agora tão compreensível
Como Hamlet que em uma voz inaudível
Me indicasse como devo proceder
O deus sol no fim da tarde a se esconder
Roubando desse hemisfério o seu calor
Vem Morfeu e remedia minha dor
Com o sono que me estende a sua mão
Sou o rei de um castelo de ilusão
Que desaparece a cada nova aurora
Na rotina outra vez me vejo agora
Receando outros dias como aquele
Se serei outra vez vítima deles
Cabe a Chronos a resposta que terei
Se assim for novamente escreverei
Com caneta, corpo, alma e coração.
sábado, 19 de março de 2011
O Jeito Certo de Viver
Planeta Terra: quando chegamos a esse lugar somos pequenos e indefesos. Chegamos pelados, pegajosos, pagões, e choramos. Com o caminhar do tempo vamos crescendo e descobrindo os rumos e trejeitos de nosso motivo e maldição: a vida. O seu sentido, os seus porquês, como viver não se sabe. À parte isso, viva. Viva, durma até tarde, ande nas ruas, saia pra dançar mesmo que não saiba, saia com os amigos, conheça alguém bacana, começe um relacionamento, termine o, vá a igreja, ajoellhe se, plante uma árvore, escreva algo, uma frase que seja, visite seus parentes, falte ao trabalho, engorde alguns quilos, embriague se, arrume um cachorro, olhe as estrelas, banhe se no rio, acampe, conte uma história aos seus filhos, veja o sol nascer. Viva, morra, mate, sonhe, e não dedique o seu tão pouco e precioso tempo nesse mundo a buscar o sentido da vida, dê a ela o seu sentido, o seu querer. Dedique se a viver. Viva como se fosse morrer amanhã, e depois, e depois de novo. Valorize os minutos, os segundos, as piscadas de olhos. Não prenda se a meias verdades, e nem a verdades inteiras. Jogue se no abismo, viva no limite. E o jeito certo de viver que ninguém ouse dizer que sabe, mas essa, não restam dúvidas, é uma forma bem interessante.
Convite
Vamos jogar um jogo? Não é videogame nem jogo da velha. É mais ou menos uma variação de pega-pega. Não existem regras ou coisa tal. Ninguém ganha, ninguém perde. Pode se considerar um empate técnico. Não tem um tempo certo de duração. Não tem juíz. Você dá as cartas, ou as recebe, ou os dois. É direto ou indireto, nas caras ou mascarado, intenso ou resignado. Depende só dos jogadores, avatares. Jogo das borboletas no estômago, jogo do coração acelerado. Jogo da vida, jogo do amor. Vamos jogar?
Do Alto da Janela
Do alto da janela eu vejo a vida, a paisagem. Vejo o verde, o cinza e as incontáveis outras cores que aquarelam o mundo. Vejo os seres vivos, quadrúpedes, bípedes. Esses, quase sempre vítimas de uma pressa escravizante andam de um lado pro outro carregando pastas, maletas, telefones, relatórios e outras chatisses impressas em papel. Sua vida gira de acordo com o girar dos ponteiros do relógio. Escravos do tempo e de suas próprias ambições. Assim vão vivendo, vegetando socialmente entre confraternizações e doses de whisk. Náufragos no mar da contemporaneidade. Normais, segundo não sei qual concepção. Robôs segundo a minha. E eu vejo tudo isso. Do alto da janela eu vejo o mundo, as coisas, as pessoas, e vejo a mim também. Me vejo aqui em cima me sentindo diferente dos outros, evoluído se você preferir. E me vejo também lá embaixo, sabendo (ou admitindo) que eu sou igual a eles. Sou mais um, apenas mais um com contas, problemas e desilusões (amorosas, pessoais, que seja!). Hipocrisia? Arrogância? Blasfêmia? Não! Apenas a minha visão, do alto da janela.
quarta-feira, 9 de março de 2011
O Último Ônibus
Eram 10:30 de uma noite fria. Chovia muito. Eu estava sentado no ponto esperando o último ônibus. Pensava na minha vida, no que eu a transformei e principalmente no que eu me transformei. A esperança que outrora se fazia presente havia me abandonado e os mais tenebrosos pensamentos agora governavam minha mente. Era o fundo do poço. Meus familiares já estavam esgotados de tentar me reerguer e de tolerar as minhas facetas. Amigos; eram agora apenas sombras a me rodear, ou melhor, acho que nunca existiram. Era um fato incontestável: eu estava sozinho e não podia fazer nada a respeito. Buscava desesperadamente nos confins da minha consciência uma solução sutil e eficaz para reverter aquele quadro. O suicídio me pareceu a mais adequada. Estava consumado. Ao chegar em casa a velha e empoeirada arma de meu falecido pai, a tanto tempo sem uso iria selar o destino de um bêbado mórbido, um moribundo que um dia foi um homem de posses e prestígio e que vivia agora para se entorpecer e amargar o passado. O ônibus atrasara e aquela ansiedade me consumia com tal intensidade que eu lamentei não poder dar cabo de mim ali mesmo, Até o tempo parecia zombar de mim. De repente o silêncio que até então se fazia onipresente e absoluto foi quebrado. Comecei a ouvir passos, rápidos e imprecisos. Alguém se aproximava, estava encharcado e com ares de apressado. Mais um passageiro para o último ônibus. Ao chegar ao ponto me sorriu um rápido boa noite. Voz suave e ao mesmo tempo precisa, decidida. Ergui minha cabeça e olhei: uma mulher, olhos claros, rosto de traços fortes, os cabelos castanho escuros derramavam gotas de água por todo o seu casaco. Era de uma beleza tão simples, tão única que meus olhos por um instante pareciam imóveis, congelados pelo frio que fazia. Ela me olhou. O encontro de dois olhares, que de tão compenetrados, tão espontâneos pareciam um só. Por um longo tempo nada foi dito, palavras não eram necessárias. Ela sorriu, leve e timidamente, eu retribuí, desajeitado, pois os sorrisos já não eram tão frequentes na minha vida. Sentou se ao meu lado. Conversamos. Falamos de tudo, e de nada, Ríamos, concordávamos, discordávamos, ríamos de novo. O último ônibus não passou aquela noite. E quem se importa? Eu já não me encontrava sozinho. Havia alguém ao meu lado e eu estava sentado na janela de uma outra condução, que para mim chamava se RECOMEÇO.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Um mero ponto de vista.
Você já parou pra pensar na infinidade de definições existentes sobre o amor? São vários os conceitos mas no final todos querem dizer a mesma coisa. Mas afinal, o que de fato se define por amor? O amor. Esse sentimento sutil em sua agressividade, calmo em sua inquietude, confuso em sua certeza. Sentimento que nos torna patéticos, tão patéticos que o fato de se perceber patético é motivos de risos e alegria. Uns lhe atribuem força sobrenatural ao afirmar que este pode destruir todas as barreiras. Outros lhe dão o mérito de o maior dos médicos pois dizem que ele cura tudo. O amor, água do desejo dos sedentos, caminho de todo andarilho, sul das aves que migram. O amor.
Bem, o que posso te dizer sobre o amor é o que tenho acumulado da pouca experiência e tempo de vida que possuo e a interpretação particular que faço dos filmes que vejo. Com base nesse peculiar acervo teórico te digo o seguinte: não espere nada do amor, mas prepere se para receber tudo. É só isso que ele pode te dar. Não procure pelo amor, é uma perda de tempo meu amigo! O amor é que te encontra, ou melhor, te resgata. Não viva para amar, ame para viver. O amor é o melhor combustível para essa máquina voraz a qual chamamos vida. Permita se amar, permita se ser amado. Não se importe com o que digam os outros, o amor não julga opiniões, considera as atitudes. Ele é conciso, inabalável, imperecível. Ah, vale a pena lembrar, ao amar você terá prejuízos, todos resarcidos, acalme se.
Então, quando o amor encontrar você não se esconda, não fuja. O olhe nos olhos, estenda a sua mão e de mãos dadas com ele caminhe, apenas caminhe. O que lhe aguarda lá na frente? Quem pode saber? Mas te digo que certamente valerá a pena. Boa sorte!
Bem, o que posso te dizer sobre o amor é o que tenho acumulado da pouca experiência e tempo de vida que possuo e a interpretação particular que faço dos filmes que vejo. Com base nesse peculiar acervo teórico te digo o seguinte: não espere nada do amor, mas prepere se para receber tudo. É só isso que ele pode te dar. Não procure pelo amor, é uma perda de tempo meu amigo! O amor é que te encontra, ou melhor, te resgata. Não viva para amar, ame para viver. O amor é o melhor combustível para essa máquina voraz a qual chamamos vida. Permita se amar, permita se ser amado. Não se importe com o que digam os outros, o amor não julga opiniões, considera as atitudes. Ele é conciso, inabalável, imperecível. Ah, vale a pena lembrar, ao amar você terá prejuízos, todos resarcidos, acalme se.
Então, quando o amor encontrar você não se esconda, não fuja. O olhe nos olhos, estenda a sua mão e de mãos dadas com ele caminhe, apenas caminhe. O que lhe aguarda lá na frente? Quem pode saber? Mas te digo que certamente valerá a pena. Boa sorte!
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