quarta-feira, 30 de março de 2011

Cachorrada

Esses dias eu estava na sala da minha casa e observava o meu cachorro, um deles, que repousava sereno no tapete, contra a vontade da minha mãe, é claro. E ao olhar aquela cena eu me recordei de um texto que li há certo tempo de título “Se o se professor fosse um cachorro”. Comecei a pensar nos vários aspectos do comportamento desse animal e foi impossível não pensar em como seria a vida humana se esta seguisse a filosofia canina. Imagine alguém que ficasse extremamente feliz ao te ver, tão feliz a ponto de pular, correr. Imagine alguém que ao cometer um erro não fugisse ou colocasse a culpa em alguém, mas ficasse lá, parado ao lado do erro que cometera, sem dizer nada, mas permitindo compreender a aceitação de sua culpa. Imagine alguém simples, sem regras de conduta sofisticadas, que comesse rápido deixando a entender que tem pressa de aproveitar a vida e tudo o que ela tem de bom a oferecer. Imagine alguém que ao se sentir carente, sozinho, não reclamasse da vida ou se revoltasse gratuitamente, mas que se deitasse no chão e olhasse por cima dos olhos como se dissesse: - Ei, eu só quero um abraço, só isso! Imagine alguém que aceitasse suas pulgas, que entendesse o porque da coleira, que se contentasse com o osso quando não houvesse carne. Ah, que incrível seria!
Como dizia o saudoso John Lennon “você pode dizer que eu sou um sonhador” mas admita, ia ser fantástico não ia? A vida através de uma nova perspectiva. Tudo novo, diferente. E a sociedade, você deve estar pensando:  ia virar uma cachorrada? Não! Ela já é isso há muito tempo. A diferença é que dessa forma isso ia ser uma coisa boa, boa pra cachorro.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Zumbi

Anda agora desmotivado sem um motivo aparente. Vive a vagar pelas ruas sem um paradeiro certo. Dorme, acorda e não sente nada. O cansaço em seus corpo, a fadiga em seus olhos, sangue em seu coração. Não atende as ligações, não abre as correspondências. Ao cair da noite se esconde como faria um vampiro às avessas. Assiste a filmes antigos se deixando hipnotizar pela tv. Se vê no cowboy, no mocinho, no vilão. Atravessa as madrugadas, lacaio da cafeína. Sente falta de algo que não sabe o que é. Frequenta bares e consome prostitutas. Não se ocupa em nada, não trabalha. Vagabundo é agora. Seu semblante é inerte, sem expressão. Sual alma clama por ajuda em um idioma confuso, desconhecido, impronunciável. Não é feliz, não se vê nem próximo disso. Não ri, não chora, mas não culpa ninguém por seu estado, seu agora. Abre outra garrafa e também o coração. Não há nada lá dentro a ñão ser a certeza de uma morte vindoura e implacável. Quando ela virá não importa, pois ele já está morto, em vida.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Hoje do Dia Seguinte

Imerso nesse dia em tédio tal
Que escrever me é a única saída
Minha mente em tantas dúvidas perdida
Que nem sei se ao menos vou sobreviver

O querer e o ter se fazem tão distantes
E ilusões me governam toda a vida
Esperança é uma lembrança esquecida
Que em mim se recusa a se mover

O silêncio é quem se faz prevalecer
Mas o caos da agonia me sussurra
O leão dos meus temores me esmurra
 Com a mesma intensidade que devora

Rastejantes minutos, lentas horas
E o relógio a girar desacelerado
 Até ele parece estar cansado
Do morgado episódio que se dá

Sentimento nobre ou puro em mim não há
Nem palavras que a agradem, oh querida
O amor é uma taça de bebida
Qual não bebo e me contento em derramar

Muito pouco é o que posso te ofertar
Mas o faço embora o tenha admitido
Dois cigarros e um coração partido
E o desejo de haver transformação

Tão mecânico é o pulsar do coração
Mas o fluido que o lava ainda corre
O guerreiro em batalha aos poucos morre
Sem perder embora a crença de vencer

Tal momento é meu desejo reverter
Muito embora eu me encontre estagnado
Bem e mal caminhando lado a lado
Discutindo qual irá me convencer

A dúvida enter o ser e o não ser
Me parece agora tão compreensível
Como Hamlet que em uma voz inaudível
Me indicasse como devo proceder

O deus sol no fim da tarde a se esconder
Roubando desse hemisfério o seu calor
Vem Morfeu e remedia minha dor
Com o sono que me estende a sua mão

Sou o rei de um castelo de ilusão
Que desaparece a cada nova aurora
Na rotina outra vez me vejo agora
Receando outros dias como aquele


Se serei outra vez vítima deles
Cabe a Chronos a resposta que terei
Se assim for novamente escreverei
Com caneta, corpo, alma e coração.




sábado, 19 de março de 2011

O Jeito Certo de Viver

Planeta Terra: quando chegamos a esse lugar somos pequenos e indefesos. Chegamos pelados, pegajosos, pagões, e choramos. Com o caminhar do tempo vamos crescendo e descobrindo os rumos e trejeitos de nosso motivo e maldição: a vida. O seu sentido, os seus porquês, como viver não se sabe. À parte isso, viva. Viva, durma até tarde, ande nas ruas, saia pra dançar mesmo que não saiba, saia com os amigos, conheça alguém bacana, começe um relacionamento, termine o, vá a igreja, ajoellhe se, plante uma árvore, escreva algo, uma frase que seja, visite seus parentes, falte ao trabalho, engorde alguns quilos, embriague se, arrume um cachorro, olhe as estrelas, banhe se no rio, acampe, conte uma história aos seus filhos, veja o sol nascer. Viva, morra, mate, sonhe, e não dedique o seu tão pouco e precioso tempo nesse mundo a buscar o sentido da vida, dê a ela o seu sentido, o seu querer. Dedique se a viver. Viva como se fosse morrer amanhã, e depois, e depois de novo. Valorize os minutos, os segundos, as piscadas de olhos. Não prenda se a meias verdades, e nem a verdades inteiras. Jogue se no abismo, viva no limite. E o jeito certo de viver que ninguém ouse dizer que sabe, mas essa, não restam dúvidas, é uma forma bem interessante.

Convite

Vamos jogar um jogo? Não é videogame nem jogo da velha. É mais ou menos uma variação de pega-pega. Não existem regras ou coisa tal. Ninguém ganha, ninguém perde. Pode se considerar um empate técnico. Não tem um tempo certo de duração. Não tem juíz. Você dá as cartas, ou as recebe, ou os dois. É direto ou indireto, nas caras ou mascarado, intenso ou resignado. Depende só dos jogadores, avatares. Jogo das borboletas no estômago, jogo do coração acelerado. Jogo da vida, jogo do amor. Vamos jogar?

Do Alto da Janela

Do alto da janela eu vejo a vida, a paisagem. Vejo o verde, o cinza e as incontáveis outras cores que aquarelam o mundo. Vejo os seres vivos, quadrúpedes, bípedes. Esses, quase sempre vítimas de uma pressa escravizante andam de um lado pro outro carregando pastas, maletas, telefones, relatórios e outras chatisses impressas em papel. Sua vida gira de acordo com o girar dos ponteiros do relógio. Escravos do tempo e de suas próprias ambições. Assim vão vivendo, vegetando socialmente entre confraternizações e doses de whisk. Náufragos no mar da contemporaneidade. Normais, segundo não sei qual concepção. Robôs segundo a minha. E eu vejo tudo isso. Do alto da janela eu vejo o mundo, as coisas, as pessoas, e vejo a mim também. Me vejo aqui em cima me sentindo diferente dos outros, evoluído se você preferir. E me vejo também lá embaixo, sabendo (ou admitindo) que eu sou igual a eles. Sou mais um, apenas mais um com contas, problemas e desilusões (amorosas, pessoais, que seja!). Hipocrisia? Arrogância? Blasfêmia? Não! Apenas a minha visão, do alto da janela.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Último Ônibus

Eram 10:30 de uma noite  fria. Chovia muito. Eu estava sentado no ponto esperando o último ônibus. Pensava na minha vida, no que eu a transformei e principalmente no que eu me transformei. A esperança que outrora se fazia presente havia me abandonado e os mais tenebrosos pensamentos agora governavam minha mente. Era o fundo do poço. Meus familiares já estavam esgotados de tentar me reerguer e de tolerar as minhas facetas. Amigos; eram agora apenas sombras a me rodear, ou melhor, acho que nunca existiram. Era um fato incontestável: eu estava sozinho e não podia fazer nada a respeito. Buscava desesperadamente nos confins da minha consciência uma solução sutil e eficaz para reverter aquele quadro. O suicídio me pareceu a mais adequada. Estava consumado. Ao chegar em casa a velha e empoeirada arma de meu falecido pai, a tanto tempo sem uso iria selar o destino de um bêbado mórbido, um moribundo que um dia foi um homem de posses e prestígio e que vivia agora para se entorpecer e amargar o passado. O ônibus atrasara e aquela ansiedade me consumia com tal intensidade que eu lamentei não poder dar cabo de mim ali mesmo, Até o tempo parecia zombar de mim. De repente o silêncio que até então se fazia onipresente e absoluto foi quebrado. Comecei a ouvir passos, rápidos e imprecisos. Alguém se aproximava, estava encharcado e com ares de apressado. Mais um passageiro para o último ônibus. Ao chegar ao ponto me sorriu um rápido boa noite. Voz suave e ao mesmo tempo precisa, decidida. Ergui minha cabeça e olhei: uma mulher, olhos claros, rosto de traços fortes, os cabelos castanho escuros derramavam gotas de água por todo o seu casaco. Era de uma beleza tão simples, tão única que meus olhos por um instante pareciam imóveis, congelados pelo frio que fazia. Ela me olhou. O encontro de dois olhares, que de tão compenetrados, tão espontâneos pareciam um só. Por um longo tempo nada foi dito, palavras não eram necessárias. Ela sorriu, leve e timidamente, eu retribuí, desajeitado, pois os sorrisos já não eram tão frequentes na minha vida. Sentou se ao meu lado. Conversamos. Falamos de tudo, e de nada, Ríamos, concordávamos, discordávamos, ríamos de novo. O último ônibus não passou aquela noite. E quem se importa? Eu já não me encontrava sozinho. Havia alguém ao meu lado e eu estava sentado na janela de uma outra condução, que para mim chamava se RECOMEÇO.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um mero ponto de vista.

   Você já parou pra pensar na infinidade de definições existentes sobre o amor? São vários os conceitos mas no final todos querem dizer a mesma coisa. Mas afinal, o que de fato se define por amor? O amor. Esse sentimento sutil em sua agressividade, calmo em sua inquietude, confuso em sua certeza. Sentimento que nos torna patéticos, tão patéticos que o fato de se perceber patético é motivos de risos e alegria. Uns lhe atribuem força sobrenatural ao afirmar que este pode destruir todas as barreiras. Outros lhe dão o mérito de o maior dos médicos pois dizem que ele cura tudo. O amor, água do desejo dos sedentos, caminho de todo andarilho, sul das aves que migram. O amor.
   Bem, o que posso te dizer sobre o amor é o que tenho acumulado da pouca experiência e tempo de vida que possuo e a interpretação particular que faço dos filmes que vejo. Com base nesse peculiar acervo teórico te digo o seguinte: não espere nada do amor, mas prepere se para receber tudo. É só isso que ele pode te dar. Não procure pelo amor, é uma perda de tempo meu amigo! O amor é que te encontra, ou melhor, te resgata. Não viva para amar, ame para viver. O amor é o melhor combustível para essa máquina voraz a qual chamamos vida. Permita se amar, permita se ser amado. Não se importe com o que digam os outros, o amor não julga opiniões, considera as atitudes. Ele é conciso, inabalável, imperecível. Ah, vale a pena lembrar, ao amar você terá prejuízos, todos resarcidos, acalme se.
   Então, quando o amor encontrar você não se esconda, não fuja. O olhe nos olhos, estenda a sua mão e de mãos dadas com ele caminhe, apenas caminhe. O que lhe aguarda lá na frente? Quem pode saber? Mas te digo que certamente valerá a pena. Boa sorte!