Imerso nesse dia em tédio tal
Que escrever me é a única saída
Minha mente em tantas dúvidas perdida
Que nem sei se ao menos vou sobreviver
O querer e o ter se fazem tão distantes
E ilusões me governam toda a vida
Esperança é uma lembrança esquecida
Que em mim se recusa a se mover
O silêncio é quem se faz prevalecer
Mas o caos da agonia me sussurra
O leão dos meus temores me esmurra
Com a mesma intensidade que devora
Rastejantes minutos, lentas horas
E o relógio a girar desacelerado
Até ele parece estar cansado
Do morgado episódio que se dá
Sentimento nobre ou puro em mim não há
Nem palavras que a agradem, oh querida
O amor é uma taça de bebida
Qual não bebo e me contento em derramar
Muito pouco é o que posso te ofertar
Mas o faço embora o tenha admitido
Dois cigarros e um coração partido
E o desejo de haver transformação
Tão mecânico é o pulsar do coração
Mas o fluido que o lava ainda corre
O guerreiro em batalha aos poucos morre
Sem perder embora a crença de vencer
Tal momento é meu desejo reverter
Muito embora eu me encontre estagnado
Bem e mal caminhando lado a lado
Discutindo qual irá me convencer
A dúvida enter o ser e o não ser
Me parece agora tão compreensível
Como Hamlet que em uma voz inaudível
Me indicasse como devo proceder
O deus sol no fim da tarde a se esconder
Roubando desse hemisfério o seu calor
Vem Morfeu e remedia minha dor
Com o sono que me estende a sua mão
Sou o rei de um castelo de ilusão
Que desaparece a cada nova aurora
Na rotina outra vez me vejo agora
Receando outros dias como aquele
Se serei outra vez vítima deles
Cabe a Chronos a resposta que terei
Se assim for novamente escreverei
Com caneta, corpo, alma e coração.
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