quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Infinito.

Busquei por um tempo um tempo que fosse só meu. Afastei-me de tudo aquilo que parecia querer me roubar. Precisava de tempo e dele corri atrás. Voltei como quem nunca foi. Mas o fato é que fui. Quis tempo para crescer e só descobri o quão pequeno sou, Quis tempo para fazer nada, mas a vida me encheu de obrigações.  Quis tempo para rir quase que imoralmente, mas fechei minha boca perante diversas seriedades.

Voltei igual ao que fui, voltei não mais como era. Voltei de mãos vazias, trazendo nelas tudo que da vida se leva. Estou agora aqui, nesse lugar que não é meu. Daqui para onde irei, não o sei. Sei somente que na limitação do existir humano, caminho a mansos passos, ciente apenas de que caminhar é preciso, e é eterno. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"GRANDES" Amigos


Certo dia, em uma das muitas conversas informais que se desenrolam durante o cotidiano de qualquer pessoa, eu comentei sobre um grande amigo meu. Grande não só no mérito, mas também na estatura. Ao ouvir tal comentário a pessoa com quem eu falava então replicou: - parece que você prefere os gordinhos para serem seus amigos. Um comentário banal, mas que me fez observar esse fato até então despercebido: meus melhores amigos são gordos, são grandes. Pode ser só coincidência. Acredito que não há nenhuma predisposição genética que faça dos mais avantajados, fisicamente falando, pessoas melhores ou mais leais. Deixando os “achismos” e a ciência de lado, o fato é que, meus melhores amigos são gordinhos, ou são muito altos, ou qualquer coisa do tipo. Explicações...quem se importa com elas? Mas eu gosto de acreditar que eles são desse tamanho para acomodar devidamente o coração que possuem: GRANDE! Assim como eles.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Travessia da Coragem

 Chega um certo momento na vida em que você simplesmente para. Você não entende como chegou até aquele ponto e tenta desesperadamente encontrar um porque de continuar. É como se você estivesse parado na frente de uma ponte e não soubesse se deve atravessar ou dar meia volta. A vida parece tão sem sentido, a falta de motivação é tanta que a decisão mais sensata parece ser andar pela ponte, não até o fim, mas até um local de onde seja possível se lançar no abismo que espreita embaixo dela. Mas dificilmente o fazemos. Parece que até para tomar tal medida, não correta, mas muito eficaz, a força é insuficiente, inexistente. Eis que ocorre um quase milagre; a separação do joio e do trigo. Uns decidem voltar, desistir, começar do zero, enfim. E outros atravessam a ponte. Caminham por aquele emaranhado de cordas e madeira sem saber o que vão encontrar do outro lado. Apostadores que não poupam suas fichas na gigante roleta russa chamada vida. O joio e o trigo. Quem é quem? É apenas uma questão de ponto de vista. Mas somente alguns merecem o nome de corajosos, e sabemos muito bem de quem estamos falando.

sábado, 25 de junho de 2011

La Vita

Ela tem um jeito estranho de mostrar quem é. Parece gostar da contradição, ver beleza no caos. Faz os bons se darem mal e os maus - aos nossos olhos pelo menos - saírem impunes e ilesos. Leva os bons primeiro. Deixa os maus ficarem mais um pouco, como recompensa - ou castigo - por sabe se lá o que. Inimiga do relógio, faz seu próprio tempo. Chega e sai quando bem entende sem dar satisfação alguma. É exaltada com os mais sublimes adjetivos, depreciada com os mais imorais palavrões. Não se abala. Permanece íntegra, do alto de seu inatingível pedestal. É o mais belo projeto de Deus, e sabe disso, orgulha se disso. E com que orgulho! Tem por irmã e algoz a morte, mas não a vê com olhos de inimizade, ao contrário, o sopro de sua gêmea sombria é o começo de sua continuação, eterna desta vez. Ela, a vida, essa moleca travessa de quem somos boneca de pano, maleáveis, abandonados em qualquer canto, sujos, mutilados, esquecidos.  Temos cada um a sua, fazemos o que queremos (achamos, ao menos). Fomos, vamos e voltamos, sempre a levar nossa vidas, ou melhor dizendo, nossas vidas a nos levar. Sempre .

domingo, 12 de junho de 2011

Despedaçando ilusões

Dizem que existe por aí uma pessoa perfeita para cada pessoa. Idiotice tamanha eu jamais ouvi. À princípio, me diga o que é perfeição. Em segundo plano, mostre me que ela existe. E se existe, será que algum ser humano é capaz de desenvolvê-la? E se for, porque uma pessoa que atinge a perfeição iria escolher você, logo você ???   

Para dias que estão por vir

Solitário sempre me senti.  Hoje sei que estou. Que estarei. Dom Quixote sem Sancho Pança. Cavaleiro andante sem relações fixas. Parasita social, eu diria. Preparo me agora para dias difíceis. Dias de pouca conversa, de mesa pra um, de risadas escassas. O braço forte agora se vai, não mais me erguendo quando for preciso. Necessita agora carregar seu próprio fardo, assim como também tenho que fazê lo ,embora não o deseje. Ah, e como não o desejo. Por amigos tenho agora a mesa de bar, a dama de cabaré e o copo sempre cheio. E quando este estiver vazio e eu entorpecido por álcool e amargura, o segurarei em minhas mãos e com lágrimas nos olhos lhe direi o quanto somos iguais. Vazios, ocos. E chorarei

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Minha Vez

Sempre fui aquele que tenta trabalhar para que as coisas estejam em perfeita harmonia. Quis que cada coisa estivesse em seu devido lugar. Fui durante muito tempo o tipo de pessoa que se preocupa com o bem estar dos outros. O tipo de cavalheiro que não se vê mais por aí, capaz de ceder o seu casaco para que a dama não se encolhesse com o frio. Aquele capaz de se privar de certas coisas para que não faltasse nada para os que estão a minha volta. Desejei relações perfeitas, sistemáticas, minuciosas, dignas de filmes americanos. Argumentei para que as pessoas descrentes a minha volta vislumbrassem beleza em suas vidas e encontrassem um norte para o qual caminhar. Por incontáveis vezes me fiz ombro, lenço de papel daqueles que necessitam expurgar seus sofrimentos. Fui jarro de muitas lágrimas. Ajudei a enxugar todas elas. Fui o mais amável dos amigos, o inimigo mais detestável, a flor que sobrevive ao inverno. Sempre fui quem eu fui, quem queriam que eu fosse. E eu, nunca quis chorar? Nunca quis que fossem para mim o que sou para os outros? Será que eu sou tão auto-suficiente que as vezes não necessite de um simples, mas verdadeiro abraço? Agora, agora é minha vez, de ser, de não ser, de receber, de ser levado em conta. Não sou um líder espiritual, tão menos um deus, sou um filho, um pai, uma criança que precisa sentir que está viva quando acorda. Não quero nada demais, apenas um pouco daquilo que eu dei a vida toda: Atenção.