Sempre fui aquele que tenta trabalhar para que as coisas estejam em perfeita harmonia. Quis que cada coisa estivesse em seu devido lugar. Fui durante muito tempo o tipo de pessoa que se preocupa com o bem estar dos outros. O tipo de cavalheiro que não se vê mais por aí, capaz de ceder o seu casaco para que a dama não se encolhesse com o frio. Aquele capaz de se privar de certas coisas para que não faltasse nada para os que estão a minha volta. Desejei relações perfeitas, sistemáticas, minuciosas, dignas de filmes americanos. Argumentei para que as pessoas descrentes a minha volta vislumbrassem beleza em suas vidas e encontrassem um norte para o qual caminhar. Por incontáveis vezes me fiz ombro, lenço de papel daqueles que necessitam expurgar seus sofrimentos. Fui jarro de muitas lágrimas. Ajudei a enxugar todas elas. Fui o mais amável dos amigos, o inimigo mais detestável, a flor que sobrevive ao inverno. Sempre fui quem eu fui, quem queriam que eu fosse. E eu, nunca quis chorar? Nunca quis que fossem para mim o que sou para os outros? Será que eu sou tão auto-suficiente que as vezes não necessite de um simples, mas verdadeiro abraço? Agora, agora é minha vez, de ser, de não ser, de receber, de ser levado em conta. Não sou um líder espiritual, tão menos um deus, sou um filho, um pai, uma criança que precisa sentir que está viva quando acorda. Não quero nada demais, apenas um pouco daquilo que eu dei a vida toda: Atenção.
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