sábado, 25 de junho de 2011

La Vita

Ela tem um jeito estranho de mostrar quem é. Parece gostar da contradição, ver beleza no caos. Faz os bons se darem mal e os maus - aos nossos olhos pelo menos - saírem impunes e ilesos. Leva os bons primeiro. Deixa os maus ficarem mais um pouco, como recompensa - ou castigo - por sabe se lá o que. Inimiga do relógio, faz seu próprio tempo. Chega e sai quando bem entende sem dar satisfação alguma. É exaltada com os mais sublimes adjetivos, depreciada com os mais imorais palavrões. Não se abala. Permanece íntegra, do alto de seu inatingível pedestal. É o mais belo projeto de Deus, e sabe disso, orgulha se disso. E com que orgulho! Tem por irmã e algoz a morte, mas não a vê com olhos de inimizade, ao contrário, o sopro de sua gêmea sombria é o começo de sua continuação, eterna desta vez. Ela, a vida, essa moleca travessa de quem somos boneca de pano, maleáveis, abandonados em qualquer canto, sujos, mutilados, esquecidos.  Temos cada um a sua, fazemos o que queremos (achamos, ao menos). Fomos, vamos e voltamos, sempre a levar nossa vidas, ou melhor dizendo, nossas vidas a nos levar. Sempre .

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