Ela tem um jeito estranho de mostrar quem é. Parece gostar da contradição, ver beleza no caos. Faz os bons se darem mal e os maus - aos nossos olhos pelo menos - saírem impunes e ilesos. Leva os bons primeiro. Deixa os maus ficarem mais um pouco, como recompensa - ou castigo - por sabe se lá o que. Inimiga do relógio, faz seu próprio tempo. Chega e sai quando bem entende sem dar satisfação alguma. É exaltada com os mais sublimes adjetivos, depreciada com os mais imorais palavrões. Não se abala. Permanece íntegra, do alto de seu inatingível pedestal. É o mais belo projeto de Deus, e sabe disso, orgulha se disso. E com que orgulho! Tem por irmã e algoz a morte, mas não a vê com olhos de inimizade, ao contrário, o sopro de sua gêmea sombria é o começo de sua continuação, eterna desta vez. Ela, a vida, essa moleca travessa de quem somos boneca de pano, maleáveis, abandonados em qualquer canto, sujos, mutilados, esquecidos. Temos cada um a sua, fazemos o que queremos (achamos, ao menos). Fomos, vamos e voltamos, sempre a levar nossa vidas, ou melhor dizendo, nossas vidas a nos levar. Sempre .
sábado, 25 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Despedaçando ilusões
Dizem que existe por aí uma pessoa perfeita para cada pessoa. Idiotice tamanha eu jamais ouvi. À princípio, me diga o que é perfeição. Em segundo plano, mostre me que ela existe. E se existe, será que algum ser humano é capaz de desenvolvê-la? E se for, porque uma pessoa que atinge a perfeição iria escolher você, logo você ???
Para dias que estão por vir
Solitário sempre me senti. Hoje sei que estou. Que estarei. Dom Quixote sem Sancho Pança. Cavaleiro andante sem relações fixas. Parasita social, eu diria. Preparo me agora para dias difíceis. Dias de pouca conversa, de mesa pra um, de risadas escassas. O braço forte agora se vai, não mais me erguendo quando for preciso. Necessita agora carregar seu próprio fardo, assim como também tenho que fazê lo ,embora não o deseje. Ah, e como não o desejo. Por amigos tenho agora a mesa de bar, a dama de cabaré e o copo sempre cheio. E quando este estiver vazio e eu entorpecido por álcool e amargura, o segurarei em minhas mãos e com lágrimas nos olhos lhe direi o quanto somos iguais. Vazios, ocos. E chorarei
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Minha Vez
Sempre fui aquele que tenta trabalhar para que as coisas estejam em perfeita harmonia. Quis que cada coisa estivesse em seu devido lugar. Fui durante muito tempo o tipo de pessoa que se preocupa com o bem estar dos outros. O tipo de cavalheiro que não se vê mais por aí, capaz de ceder o seu casaco para que a dama não se encolhesse com o frio. Aquele capaz de se privar de certas coisas para que não faltasse nada para os que estão a minha volta. Desejei relações perfeitas, sistemáticas, minuciosas, dignas de filmes americanos. Argumentei para que as pessoas descrentes a minha volta vislumbrassem beleza em suas vidas e encontrassem um norte para o qual caminhar. Por incontáveis vezes me fiz ombro, lenço de papel daqueles que necessitam expurgar seus sofrimentos. Fui jarro de muitas lágrimas. Ajudei a enxugar todas elas. Fui o mais amável dos amigos, o inimigo mais detestável, a flor que sobrevive ao inverno. Sempre fui quem eu fui, quem queriam que eu fosse. E eu, nunca quis chorar? Nunca quis que fossem para mim o que sou para os outros? Será que eu sou tão auto-suficiente que as vezes não necessite de um simples, mas verdadeiro abraço? Agora, agora é minha vez, de ser, de não ser, de receber, de ser levado em conta. Não sou um líder espiritual, tão menos um deus, sou um filho, um pai, uma criança que precisa sentir que está viva quando acorda. Não quero nada demais, apenas um pouco daquilo que eu dei a vida toda: Atenção.
sábado, 4 de junho de 2011
Pequenas Vontades
Eu queria acordar todo o dia e junto com o cheiro do café queria sentir que aquele era o começo de mais uma oportunidade. Eu queria ter a certeza de que todos os erros que eu cometi foram realmente perdoados. Eu queria saber que eu também significo algo para as pessoas quando eu não estou na frente delas. Eu queria que alguém, ao perguntar como eu estou realmente quisesse sabe como eu estou. Eu queria poder ajudar mesmo quando a ajuda parecesse impossível. Eu queria caminhar pela rua sentindo que o sol fica feliz em me ver. Eu queria saber que o choro de hoje dá lugar ao riso de amanhã, que o sorvete nunca chega ao fim. Eu queria que aquele friozinho na barriga viesse mais vezes. Eu queria que a amizade fosse um forte braço que te ergue, e que nunca vai embora. Eu queria que a minha mãe soubesse o quanto eu a amo toda vez que eu digo: -eu te odeio! E queria que ela soubesse o quanto gosto do meu lar toda vez que digo que quero sair de casa. Eu queria acreditar na bondade das pessoas. Eu queria saber que esse mundo ainda tem jeito. Não digo que queria saber o sentido da vida, bastava saber que a vida tem um sentido. Eu queria rir ao invés de chorar, realizar ao invés de sonhar. Ah, quer saber, já chega! É pedir demais. Mas de verdade, eu queria.
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