sábado, 19 de março de 2011

Do Alto da Janela

Do alto da janela eu vejo a vida, a paisagem. Vejo o verde, o cinza e as incontáveis outras cores que aquarelam o mundo. Vejo os seres vivos, quadrúpedes, bípedes. Esses, quase sempre vítimas de uma pressa escravizante andam de um lado pro outro carregando pastas, maletas, telefones, relatórios e outras chatisses impressas em papel. Sua vida gira de acordo com o girar dos ponteiros do relógio. Escravos do tempo e de suas próprias ambições. Assim vão vivendo, vegetando socialmente entre confraternizações e doses de whisk. Náufragos no mar da contemporaneidade. Normais, segundo não sei qual concepção. Robôs segundo a minha. E eu vejo tudo isso. Do alto da janela eu vejo o mundo, as coisas, as pessoas, e vejo a mim também. Me vejo aqui em cima me sentindo diferente dos outros, evoluído se você preferir. E me vejo também lá embaixo, sabendo (ou admitindo) que eu sou igual a eles. Sou mais um, apenas mais um com contas, problemas e desilusões (amorosas, pessoais, que seja!). Hipocrisia? Arrogância? Blasfêmia? Não! Apenas a minha visão, do alto da janela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário