A vida segue um ciclo implacável. Os dias começam e terminam, o sol quase sempre brilha, o vento sopra. E de vez em quando chove. É um belo espetáculo que a natureza nos proporciona. Toda aquela água caindo em fileiras tal como um batalhão que marcha em perfeito alinhamento. Muitos adoram sentir os pingos batendo em seu corpo e saem correndo na chuva como se a vida se resumisse aquele momento, outros aproveitam tal fenômeno para em casa se agasalhar, tomar um chocolate quente e desfrutar da companhia e do calor corporal de alguém a quem bem se quer. O fato é que, para muitas pessoas a chuva não é só água que caio do céu, é um momento de oportunidade. No entanto, para mim a chuva quase sempre é um incômodo. Não porque ela dificulta a vida lá fora ou molha as roupas do varal, mas sim porque nesses dias eu me vejo sozinho e molhado, de lágrimas que eu não sei chorar. Não sei por que, mas dias chuvosos me deixam triste, pensativo. E enquanto a chuva cai tranqüila lá fora eu me vejo inquieto aqui dentro. Em um desses dias em que a chuva caia ficou claro para mim que não é raiva da chuva o que eu tenho, mas sim inveja. Tenho inveja do tempo que não tem medo de mudar de opinião e principalmente, inveja das nuvens que não tem vergonha de chorar e evidenciar a sua dor. Eu quero ser como a chuva e derramar minhas lágrimas, expurgar os meus sentimentos, sejam estes bons ou ruins. Quero não esconder quem eu sou e o que penso, o que sinto. Eu quero chover, quero fazer chover, quero ser a chuva, e mais, quero também ser o sol que brilha depois dela.
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