Chegou como quem não quer nada, conquistou me nos mínimos detalhes. Sua sublime presença, o som da sua respiração, bastava só isso para dar sentido à vida de cada dia. O esplendor do seu sorriso tinha o poder de transformar a mais gélida manhã de inverno em um magnífico dia de sol. Espontânea como a flor que nasce na árvore, suave como a leve brisa que vem do mar. Perfeita, eu pensava. Se tudo na vida passa, o que é bom não segue outra lei: o castelo de sonhos veio a ruir. Havia algo diferente naquela que trouxe calor para meus dias, sua presença se fazia pausada, com intervalos de dias, semanas às vezes, e quando ela finalmente retornava era apenas um corpo, carne móvel que vinha ao meu encontro. Sua alma não fazia parte daquilo. Não sei o que aconteceu, não sei o que fiz, ou se fiz, mas o sentimento não mais existia. Ela, que tinha meu corpo e meu coração, ela se foi, dizendo lamentar o fim, dizendo ser sua a culpa, se foi. Mais uma vez passando por isso, confuso, inconformado eu diria, de olhos vendados, amarrado na sala escura que é o coração de uma mulher. Sedentas são elas, procuram por amor e quando o bebem até se saciar vão em busca de outra coisa que as satisfaça. Inconstantes por natureza, filhas da indecisão, são assim, não sabem o que de fato querem, mas o buscam com voracidade. E eu, agora sou um derivado, o que sobrou da tempestuosa passagem deste ser em minha vida. Apaixonar se é sempre diferente, elas são todas iguais.
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